3.2.12

Como guardar e usar artigos dos quais gostei? (Google Reader + Evernote)

Sei que o alvo do blog não é tecnologia,  mas hoje li uma reportagem do IDGNow sobre o Evernote ter ganhado o prêmio internacional de aplicativo do ano (aqui).

Sei que muitos estão dizendo... Mas o que é o Evernote? Como ele me ajuda na minha vida cristã?

Ai que o negócio fica legal, estes dias perguntei para uma amiga que disse que acompanhava o Adolescente Crente, como ela fazia para ver os seus blogs favoritos e ela me disse que entra neles todos os dias. Eu fiquei indignado que uma adolescente, nascida na era digital clique em todos os blogs todos os dias, sem contar que para salvar os artigos mais interessantes ela faz uma lista de favoritos, que com o passar do tempo fica "inusável"

Quero mostrar como eu faço para acompanhar mais de 90 blogs e guardar e usar os artigos que me interessam de cada um deles. Para isso você vai precisar:

  • Uma conta do Google (se você tem Gmail está dentro)
  • Um navegador com a extensão do Evernote (existe para Safari, Firefox, IE, mas eu uso o Chome) se quiser pegue aqui.
  • Uma conta no Evernote:  https://www.evernote.com/Registration.action (existe Evernote para web, desk, android, aple)

Bom, vamos começar

Leitor de feeds
Eu uso o Google Reader. É claro que existem outras opções, mas como uso vários serviços do Google, concentro tudo num lugar só.
Como ele funciona. É assim, suponha que você entre aqui no blog e goste do conteúdo, você pega nosso endereço (http://adolescentecrente.blogspot.com) e vai na página do seu Google Reader e lá você clica em "inscrever" no lado esquerdo superior.
Pronto! Toda vez que eu fizer uma nova postagem você vai ver no seu Google Reader.
No meu caso ele verifica todos os 90 blogs e me mostra o título e um pequeno resumo de cada postagem, eu clico nas que me interessam e vou para o blog que acompanho. Desta forma eu não preciso abrir todos os blogs todos os dias, eu saberei quem tem coisa nova, e se eu quero ler a postagem.
Na prática só vendo os títulos já filtro 90%. De 50 postagens novas umas 3 ou 4 me interessam, ai eu entro nos artigos.

Evernote
É ai que entra o Evernote.
O Reader vai me mostrar uma lista de artigos. Alguns são bons, e tem informações que eu posso usar em outros momentos.
O que muita gente faz é colocar nos favoritos, mas os favoritos irão se tornar uma lista enorme, difícil de procurar e tem mais, quando você clica em alguns artigos antigos, muitas vezes eles não estão mais lá.
Com a extensão no navegador eu simplesmente marco o texto que eu quero salvar, clico no elefantinho e guardo na minha conta.

Posso salvar textos, imagens, gráficos e muito mais que fica comigo e mesmo que o site deixe de existir o artigo está salvo.
Além disso eu posso separar os artigos em pastas e adicionar tags, ele faz buscas e utiliza filtros o que me ajuda a procurar no conteúdo depois. Com isso, eu posso procurar rapidamente dentre os artigos que li o que eu preciso.

Se o texto que você quer guardar não está impresso, também é fácil. Tire uma foto dele e mande para o Evernote. Ele vai ler a imagem, mesmo que seja manuscrito...
É isso mesmo. O professor passou a manhã toda escrevendo na lousa. Tire uma foto e mande para o Evernote, quando precisar ele irá buscar o conteúdo dentro da foto :-)

Se você já usou esta ou outra ferramenta para este fim, faça um comentário e nos conte, vai enriquecer muito os leitores do blog.

1.2.12

A.T.O.M.O. (slides e audio da temporada no APV 2012)

Neste mês de Janeiro tive o privilégio de ministrar no Acampamento Palavra da Vida na semana de adolescentes. Sou suspeito para falar do APV pois Deus usou grandemente este acampamento na minha vida.
O tema da semana foi:
  • A - Alegria
  • T - Testemunho
  • O - Oração
  • M - Meditação
  • O - Obediência
"Alegrem-se sempre no Senhor. Novamente direi: alegrem-se! Seja a amabilidade de vocês conhecida por todos. Perto está o Senhor. Não andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas, e com ação de graças, apresentem seus pedidos a Deus. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os seus corações e as suas mentes em Cristo Jesus. Finalmente, irmãos, tudo o que for verdadeiro, tudo o que for nobre, tudo o que for correto, tudo o que for puro, tudo o que for amável, tudo o que for de boa fama, se houver algo de excelente ou digno de louvor, pensem nessas coisas. Tudo o que vocês aprenderam, receberam, ouviram e viram em mim, ponham-no em prática. E o Deus da paz estará com vocês." Filipenses 4.4-9

Resumo
É fantástico como a ordem de Deus é para estarmos alegres, não é apenas um sentimento ligado às circunstâncias, mas um estado espiritual que percebe o cuidado de Deus e tem o foco nEle. Somente assim podemos demonstrar um caráter parecido com o de Cristo, de forma que mesmo em meio aos problemas mais profundos podemos demonstrar esta amabilidade.
No que diz respeito à estes problemas a Palavra nos ensina a não ficar preocupados, ansiosos, paralisados mas a depender do Senhor "lançando sobre ele" todas as nossas preocupações através da oração. O resultado deste tipo de vida é uma paz incompreensível, sobrenatural.
Paulo fecha o texto nos orientando sobre o que deveria ser nosso pensamento e nossas ações. Pensamentos nobres e corretos que culminariam em ações de obediência diante do Senhor.

Materiais
A ideia do tema veio do Pr. Alexandre Mendes (Face e @sachamendes). Sei que nem todos puderam estar na temporada, mas se quiser estudar um pouco sobre o assunto seguem os slides e o áudio de cada dia.

Atomo

Áudios (clique para baixar)
Alegria
Testemunho
Oração
Meditação e Obediênicia

Vídeos
Usei um vídeo como ilustração no estudo sobre oração, demonstrando a necessidade de confiança em Deus. O vídeo foi produzido pelo ministério http://www.onetimeblind.com/

video

29.1.12

Deserto Interior (quando o temor ao homem se torna maior que o temor a Deus)


Temor é um dos grandes temas bíblicos. Permeando diversos textos nas Escrituras, o desafio da Palavra é o de pensar “quem ou o que você irá temer?” Se essa é a análise correta, mesmo textos que rompem em doxologia, exaltando a glória de Deus, são com o fim de chamar os leitores ao temor ao Deus todo poderoso, para dizer “neste Deus ponho a minha confiança e nada temerei. Que me pode fazer o homem?” (Sl 56.11).
Temor às pessoas está presente na história humana desde o momento da queda. A primeira sensação de Adão e Eva, depois de terem os olhos abertos para o conhecimento do bem e do mal, foi experimentar o temor (vergonha) um do outro:

“então, vendo a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento, tomou do seu fruto, comeu, e deu a seu marido, e ele também comeu. Então foram abertos os olhos de ambos, e conheceram que estavam nus; pelo que coseram folhas de figueira, e fizeram para si aventais. E, ouvindo a voz do Senhor Deus, que passeava no jardim à tardinha, esconderam-se o homem e sua mulher da presença do Senhor Deus, entre as árvores do jardim” Gn 3.6-8

A sensação de nudez perante o outro foi, segundo Welch1,
“... a estreia do temor dos outros. A consciência da vergonha. Ficar exposto, vulnerável, e com uma necessidade desesperada de uma vestimenta e de proteção. Sob o olhar fixo do santo Deus e de outras pessoas. Deus poderia ver a nossa desgraça, e as outras pessoas se tornariam uma ameaças porque elas também poderiam vê-la. Suas opiniões poderiam agora dominar as nossas vidas” (p. 26).

O que era uma benção, conhecer e ser conhecido, tornou-se uma maldição. Nesse início marcante na história humana, o temor às pessoas é um dos maiores inimigos de Deus, um ídolo rival que passa a controlar vidas e diz como agir, pensar e sentir. Os relatos de personagens bíblicos enfrentando esse temor são diversos. Vemos Arão fazendo um bezerro de ouro (Ex 32.1-5), Saul sacrificando no lugar de Samuel (1 Sm 13.6-15), porque temeram o povo, e mesmo Pedro, no relato de Gálatas 2.11-14, quando ele toma atitudes “temendo os da circuncisão”.

Jesus Cristo tocou de modo contundente a questão: “Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei, antes, aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo” (Mt 10.28). A clareza do critério colocado por Jesus deveria ser o suficiente para convencer qualquer um de que o temor ao homem é tolice. Se a opção é temer a Deus ou temer ao homem, que idiota escolheria temer a homens? Ainda mais sendo confrontado com está afirmação tão aterradora? Porém, o homem foi cegado pelo próprio pecado, e a bíblia afirmar isso claramente: “há no coração do ímpio a voz da transgressão; não há temor de Deus diante dos seus olhos. Porque a transgressão o lisonjeia a seus olhos e lhe diz que a sua iniquidade não há de ser descoberta, nem detestada” (Sl 36.1-2).

Verificando como a Palavra demonstra esse pecado tão frequentemente, deveria ser um dos primeiros pecados que de que alguém se da conta. Porém, o que ocorre não é isso. Quando se conversa com pessoas sobre o tema, em geral, ou elas dizem não sofrer disso ou temor a homens foi uma coisa que elas descobriram e suas vidas quase que com surpresa. Isso porque o pecado de temer a homens no lugar de Deus não é um pecado demonstrado exatamente com essa cara. São muitas as atitudes que parecem inocentes ou que não são pecados em si mesmas, mas que na verdade estão refletindo um coração mais interessado em agradar pessoas do que ser fiel a Deus. Por exemplo, a bajulação está presente na lista do pecado de palavras torpes e uma pessoa pode muito bem identificar que precisa refrear a sua língua e passar a lutar contra esse pecado sem ter encontrado nele a raiz que mostra um coração entregue ao temor aos homens. Gestos que parecem inocentes também podem refletir o mesmo. Não saber dizer não pode parecer mais uma dificuldade do que um pecado, pois pode até ser confundido com uma pessoa tão interessada nos outros que até se sobrecarrega de afazeres para ajudar os outros. O que esse tipo de atitude, quase louvável, mascara é um coração dedicado ao temor às pessoas, pois é escravizado e não consegue ter nenhuma atitude que não seja aceitável pelas outras pessoas.

Há boas listas de questões que cada um pode fazer a si mesmo para pensar sobre esse pecado. Por exemplo, algumas das listadas por Welch são:

  • Você já sofreu com a pressão do grupo?
  • Você tem um currículo impressionante?
  • Acha difícil dizer não mesmo quando a prudência indica que é isso que deve ser dito?
  • Você precisa de alguma coisa do seu cônjuge?
  • A autoestima é um problema crítico pra você?
  • Você alguma vez sentiu que podia ser apresentado como um impostor?
  • Você sempre pensa duas vezes antes de tomar uma decisão por causa do que as outras pessoas poderiam pensar?
  • Você se sente vazio ou sem sentido? Você já sentiu “fome de amor”?
  • Você fica envergonhado facilmente?
  • Você mente sempre, principalmente aquelas mentirinhas brancas? E aquelas omissões onde você não está tecnicamente mentindo com seus lábios?
  • Você tem inveja dos outros?
  • As outras pessoas geralmente deixam você irado ou depressivo?
  • Você evita pessoas?
  • Você espera pelo elogio dos outros?

E essa lista poderia ser estendida com outras tantas boas questões, mas que em geral demonstrariam a mesma coisa, que o temor aos homens não é evidente por si só, mas suas demonstrações estão bem claras em atitudes simples e corriqueiras. Dentre todas as coisas que essas listas podem levar cada um a pensar sobre si mesmo, o temor a homens vai resultar em três pontos sempre presentes: máscaras, solidão e autoestima. Para cada uma destas manifestações, as Escrituras nos exortam em como isso afasta as pessoas de Deus.

Máscaras
Se há alguém que é claramente criticado por Cristo enquanto ele está no mundo são os fariseus e os doutores da lei. O discurso mais inflamado de Jesus contra eles está no livro de Mateus, no capítulo 23. Nesse trecho, a maior acusação que Cristo repetidas vezes os faz sobre eles é de que são hipócritas. A hipocrisia, na palavra original, estava associada às atuações teatrais gregas. Ela demostra algo como fingir ser alguém. Em uma peça é claro que os atores fingem ser personagens e essa arte se propõe a isso mesmo, representar realidades, mas quando fora dos palcos, a hipocrisia é a terrível atitude de demonstração fingida de virtudes, sentimentos bons, devoção religiosa, compaixão.
No início desse capítulo, Jesus já diz porque os fariseus agiam assim: os fariseus e escribas “praticam, porém, todas as suas obras com o fim de serem vistos dos homens” (Mt 23.5). O teor do capítulo mostra a condenação sumária do Deus encarnado a esse tipo de atitude, a qual reflete um coração que busca a glória dos homens, antes de agradar a Deus. Da mesma origem dos palcos, essas são as máscaras. São as formas como as pessoas de mostram umas às outras, muito mais do que sendo verdadeiras, com hipocrisia. Dentro do contexto da igreja, a máscara que surge, com mesmo teor a mesma força das atitudes que os doutores e mestres da lei judaica, é a máscara da santidade. Até um certo nível, o próprio Deus nos preserva de nos vermos como realmente somos, tal é o horror do nosso pecado. Entretanto, a postura de uma falsa santidade produz na igreja uma moral tal qual a farisaica, os quais “atam fardos pesados e difíceis de carregar e os põem sobre os ombros dos homens; entretanto, eles mesmos nem com o dedo querem movê-los” (Mt 23.4). Cristo está mostrando que máscara de santidade de uma pessoa não só a faz um hipócrita como também interfere no caminho dos outros para aproximar-se de Deus, a ponto de serem condenados por Jesus: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque fechais o reino dos céus diante dos homens; pois vós não entrais, nem deixais entrar os que estão entrando!” (Mt 23.13).

Solidão
Em Jeremias 17, o profeta compara dois tipos de pessoas, os que confiam no homem e os que confiam no Senhor. Enquanto o homem que confia no Senhor é bendito e apresentado “como a árvore plantada junto às águas, que estende as suas raízes para o ribeiro e não receia quando vem o calor, mas a sua folha fica verde; e, no ano de sequidão, não se perturba, nem deixa de dar fruto” (v. 7-8), o homem que confia no homem é tido por maldito e que separa o seu coração de Deus, “porque será como o arbusto solitário no deserto e não verá quando vier o bem; antes, morará nos lugares secos do deserto, na terra salgada e inabitável” (v. 5-6).
O lugar de habitação destinado aos que confiam no homem não pode ser físico, visto o grande números de todos que deveriam estar vivendo em lugares áridos, mas é uma realidade espiritual marcante daqueles que temem a homens. Fechar-se dentro de si mesmo, levantar grandes muros para não se mostrar aos outros e colocar máscaras para disfarçar o real intendo do coração, esse é o lugar árido, a terra inabitável a que esse pecado leva. Alguém que busca ou depende de pessoas está muito mais distante delas na verdade e, ao invés de estabelecer relacionamentos e comunhão, vive uma solidão comparada a terra seca e sedenta.

Autoestima
O temor aos homens traz mais uma consequência certa, a grande preocupação com a autoestima, ter uma boa imagem sobre si mesmo, se aceitar como é e outros chavões da psicologia popular. O foco de vida de uma pessoa que vive pelo que as outras podem dar, satisfazer em sua vida, sempre vai ter como referencial o seu próprio ego. A preocupação será sempre em relação outros sim, mas centrado em si mesmo. Provérbios mostra isso da seguinte maneira: “Quem teme aos homem arma ciladas, mas o que confia no Senhor está seguro” (Pv 29.25). Ele sugere que o temor do homem se manifestará o tempo todo na mente de alguém que fica engenhosamente armando situações e usando as que vive para lutar contra a insegurança que vem junto com a atitude de não temer o Senhor. Temer as pessoas, além de transformar e condicionar todos os pensamentos, ações e sentimentos, coloca o homem como sendo o seu próprio referencial e, por isso, completamente inseguro, sem Deus, pois confia no seu próprio coração e, voltando a Jeremias, “enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá? Eu, o SENHOR, esquadrinho o coração, eu provo os pensamentos; e isto para dar a cada um segundo o seu proceder, segundo o fruto das suas ações” (Jr 17. 9-10).


O Remédio na cruz de Cristo
Em seu livro sobre temor a homens, Edward Welch descobriu uma fórmula simples de lidar com o problema. Ele conta que sempre que via que alguém não gostava dele a sua resposta era um “tudo bem, Cristo me ama”. Isso funcionou durante muito tempo, mas quando ele casou descobriu que essa simples resposta de ignorar a outra pessoas porque Cristo o amava não funcionava com a importância que ele dava para sua esposa. Ele realmente precisava do amor dela, não conseguia uma simples troca por Jesus. Sua descoberta fez com que ele olhasse para o problema muito mais profundamente e o que encontrou foi uma solução resumida em três áreas: Temor a Deus; uma autoimagem bíblica correta de mim mesmo; uma imagem atitude bíblica com os outros.
Até aqui ficou muito marcada a pergunta “a quem você vai temer?” e que coisas devem ser identificadas na coração de cada pessoa para encontrar onde esse pecado se manifesta. Welch fez um grande trabalho, mas creio que faltou um simples conceito, tudo o que ele coloca como solução para o temor aos homens, se enchendo de temor a Deus, tendo uma imagem correta de si mesmo e entendendo o seu dever para com os outros chama-se evangelho. A maior manifestação de quem Deus é, seu caráter e amor estão na pessoa, vida e obra de Cristo, isso é centro do evangelho. A convicção dos pecados e o arrependimento que coloca todo o crente aos pés da cruz para dizer que nada pode fazer para se salvar e que depende exclusivamente de Deus para tudo é a resposta ao evangelho, entendendo quem o pecador realmente é. A vida que privilegia servir aos outros como Cristo Jesus serviu ao Pai é o exemplo maior que encontramos como padrão de vida dos que são transformados por Deus para um vida de comunhão com ele e com seu povo, a consequência visível do evangelho nas vidas dos crentes. Se há como resumir o remédio: pregue a si mesmo o evangelho todos os dias, investigando, descobrindo e indo cada vez mais fundo nas verdades que ele proporciona para a vida dos que estão em Cristo Jesus.


Este artigo foi escrito por Juliano Mezzomo



Juliano cursou o Curso de Liderança e Discipulado em 2011 e atualmente estuda no Seminário Bíblico Palavra da Vida.
Desenvolveu o artigo como parte dos requisitos da matéria de Ética para rapazes.

20.1.12

Luta contra a balança: quando a comida é o seu deus.


Coração ou comportamento, quem muda primeiro?
O cuidado com o nosso corpo começa com a transformação do nosso coração.
Durante muito tempo eu acreditei que ser crente era apenas parecer diferente dos outros. Para isso eu deveria seguir uma lista de comportamentos: não mentir, não falar palavrão, obedecer meus aos pais, e ir à igreja todos os domingos! Se eu cumprisse essa lista estaria tudo bem. Eu estaria agradando a Deus e mostraria para os outros que eu era crente. De fato, todas essas coisas eram e são muito boas e eu deveria buscá-las, mas o que eu não sabia é que seguir a Cristo ia muito além. Não se tratava apenas de mudar comportamentos e parecer alguma coisa para os outros, mas sim de mudar o coração.


Hoje eu posso dizer que entendo que ser cristã se trata de deixar Deus moldar todas as áreas da minha vida, e que meu comportamento só mudará quando de fato meu coração e meus pensamentos mudarem. O exterior sempre será reflexo do interior. E é sobre tratar o coração que eu gostaria de falar. Tenho aprendido sobre mudança interior numa área onde normalmente as pessoas só procuram mudança exterior. Tenho aprendido que o fato de eu comer mais do que deveria é antes de tudo um problema do meu coração. Meus hábitos alimentares refletem um coração desobediente a Palavra de Deus e que busca prazer longe de seu Criador. Um prazer que deseja ser alcançado a qualquer custo, mesmo que isso signifique comer muito mais do que o necessário.

O PASSADO
A questão do peso sempre foi um problema. Acho que eu sempre fui gordinha, e minha família sempre quis que eu emagrecesse. Lembro que minha primeira dieta começou aos 10 anos. Eu sei que eles zelavam por minha saúde e queriam me ver bem. E por mais que se esforçassem em me ajudar fazendo competições em que eu ganharia dinheiro ou roupas novas se emagrecesse eu não conseguia. Sentia-me uma decepção. Tudo o que eu escutava é que eu não me enquadrava e que eu deveria emagrecer pra responder a um padrão. Cada vez que falavam que eu estava gorda eu comia mais, só de raiva. Pensava estar ferindo eles, mas na verdade quem se prejudicava era eu.
Tenho certeza de que todas as vezes que minha família me disse que eu deveria emagrecer foi porque queriam me ver mais feliz e saudável. Mas não era isso o que ficava registrado em mim. No meu coração ficava um profundo sentimento de reprovação e fracasso. Uma tristeza muito grande por não conseguir ser aquilo que eu e os outros esperavam de mim mesma. Toda essa questão do peso e as emoções negativas que ficaram marcadas em mim me tornaram uma adolescente que buscava ansiosamente a aprovação dos outros.
A comida servia para mim como fonte de escape e prazer. Se eu estava triste eu comia. Se eu estava ansiosa eu comia. Se minha mãe brigava comigo eu comia. A comida era solução para tudo. E assim eu ia engordando mais, o que me levava a ficar mais triste e a acabar comendo mais. Uma bola de neve que só ia crescendo. Acontece que naqueles anos da minha adolescência eu não percebia isso. Eu não entendia porque eu comia tanto. Eu só sabia que cada vez eu queria comer mais. Hoje eu ainda colho os frutos de minhas escolhas erradas e dos meus pecados do passado.
A MUDANÇA
Contudo, o que realmente importa é que agora eu posso fazer diferente. Agora eu entendo o que estava acontecendo e tenho as ferramentas para lutar contra os maus e pecaminosos hábitos que eu cultivei.
No meio da minha confusão eu estava colocando minha fonte de prazer, alegria e satisfação em algo que não era Deus. Ao invés de eu levar a Ele minhas dores, tristezas e ansiedades eu comia. Elegi um ídolo no meu coração no lugar de Deus e não percebi que isso é pecado. Nada pode tomar o lugar de Deus no meu coração. Além disso, eu estava tão preocupada apenas com o meu prazer que quando alguma coisa não acontecia como eu tinha imaginado rapidamente eu precisava de outra coisa para me saciar. No meu caso era a comida. Imagine uma criança mimada que quando não tem o que quer chora, faz beicinho e bate o pé. Era mais ou menos assim que eu me comportava. Se eu não tinha o que queria ou me frustrava com algo eu comia.
O fato de eu comer demais revelava que eu não confiava totalmente em Deus e que eu não O enxergava como sendo a fonte da minha alegria e Aquele que podia guardar os meus sentimentos.



"Não andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas, e com ação de graças, apresentem seus pedidos a Deus. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os seus corações e as suas mentes em Cristo Jesus."Fp 4.6-7


Quem é capaz de resolver minhas dores e ansiedades não sou eu mesma nem a comida, só Deus.
Mas e agora? Depois que eu entendi que a comida tinha se tornado um ídolo do meu coração e que eu tinha me permitido ser dominada por meu anseio desesperado por prazer o que fazer? Como reverter essa situação? Como cuidar do meu corpo agora? Fui buscar na Bíblia as respostas para as minhas perguntas!
Em primeiro lugar eu aprendi que eu devo cuidar bem do meu corpo porque ele é templo do Espírito Santo.

“Acaso não sabem que o corpo de vocês é santuário do Espírito Santo que habita em vocês, que lhes foi dado por Deus, e que vocês não são de si mesmos? Vocês foram comprados por alto preço. Portanto, glorifiquem a Deus com o corpo de vocês.”  1 Co 6.19-20.

O espírito do único e verdadeiro Deus habita em mim e eu preciso cuidar da “casa” Dele. Preciso cuidar da minha saúde e daquilo que eu como. Não posso tratar o templo do Espírito Santo de qualquer jeito. O foco não é cuidar do meu corpo para que os outros me achem mais bonita ou para que eu possa atrair os rapazes. Eu devo cuidar do meu corpo porque ele é morada do Espírito Santo.
Outro ensinamento que eu aprendi na Palavra de Deus é que eu devo fazer todas as coisas para a glória de Deus. Mesmo que seja comer ou beber.


"Assim, quer vocês comam, bebam ou façam qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus.” 1 Co 10.31

Quando eu como mais do que o meu corpo necessita, quando eu como por ansiedade ou gula eu não estou comendo para a glória de Deus. Estou comendo para mim mesma. Porém ser cristã é exatamente parar de fazer as coisas para si mesma e passar a fazer as coisas para Deus. A partir do momento da minha conversão minha maneira de viver mudou. Não vivo mais para agradar a mim mesma, e sim para agradar a Deus. Até mesmo na minha maneira de comer.
Aprendi também que eu não preciso me conformar ao padrão de beleza estabelecido pelo mundo. A Bíblia ensina que a verdadeira beleza não está no exterior e sim no interior.

“A beleza de vocês não deve estar nos enfeites exteriores, como cabelos trançados e jóias de ouro ou roupas finas. Pelo contrário, esteja no ser interior, que não perece, beleza demonstrada num espírito dócil e tranqüilo, o que é de grande valor para Deus.” 1 Pe 3.3-4
“A beleza é enganosa, e a formosura é passageira; mas a mulher que teme ao Senhor será elogiada.” Pv 30.31

Estar acima do peso não é o problema central. O problema é o porquê que eu estou acima do peso. Se for porque eu estou comendo de forma a não glorificar a Deus então eu preciso mudar. Preciso submeter meus hábitos alimentares a Deus. Ele quer reger TODAS as áreas da minha vida. Até minha alimentação.
Ao ler o artigo de Elyse Fitzpatrick intitulado Ajudando Mulheres que Comem Demais e as que Praticam Bulimia me deparei com uma reflexão interessante sobre o que Deus pede de nós. Deus não me chamou para corresponder ao padrão de beleza feminina que o mundo estabeleceu. Também não há nenhum mandamento quanto a ser magra. Fui chamada para ser igual a Cristo. Para ser santa. Contudo, conformar-me à imagem de Cristo significa submeter a Deus todas as áreas da minha vida, inclusive meus hábitos alimentares. A autora diz: “o alvo de Deus é transformar-nos, não numa modelo, mas numa nova criatura em Cristo Jesus.” (p.415).
Tenho aprendido muitas coisas sobre alimentação e sobre como ela revela mais do meu coração do que eu podia imaginar. Todos os dias preciso pensar e avaliar o que vou comer. Muitas vezes eu vacilo. Como sem pensar. Mas graças a Deus porque Nele sempre posso ter uma nova chance.

"Estou convencido de que aquele que começou boa obra em vocês, vai completá-la até o dia de Cristo Jesus." Fp 1.6

 Estou a prendendo a submeter a Deus todo o meu ser. Até mesmo meus hábitos alimentares.


“Não sabem que, quando vocês se oferecem a alguém para lhe obedecer como escravos, tornam-se escravos daquele a quem obedecem: escravos do pecado que leva à morte, ou da obediência que leva à justiça? Mas, graças a Deus, porque, embora vocês tenham sido escravos do pecado, passaram a obedecer de coração à forma de ensino que lhes foi transmitida.  Vocês foram libertados do pecado e tornaram-se escravos da justiça. Falo isso em termos humanos por causa das suas limitações humanas. Assim como vocês ofereceram os membros dos seus corpos em escravidão à impureza e à maldade que leva à maldade, ofereçam-nos agora em escravidão à justiça que leva à santidade.” Rm 6.16-19

Talvez sua luta não seja especificamente com a comida. Talvez você lute com outras coisas como vaidade, orgulho, sensualidade ou outras coisas. Porém, lembre-se: só venceremos os ídolos que colocamos no lugar de Deus se O deixarmos tratar nosso coração. Não adianta termos um comportamento adequado se o nosso coração não estiver transformado.

“Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o coração, porque dele procedem as fontes da vida.” Pv 4.23

Este artigo foi escrito por Bruna Fontana



Bruna foi aluna do Curso de Liderança e Discipulado e cursa pedagogia na Universidade Federal Fluminense. Desenvolveu o artigo como parte dos requisitos da matéria de Ética para moças. É membro da Primeira Igreja Batista do Rio de Janeiro
Related Posts with Thumbnails